Mais uma madrugada explosões, tiros e pânico para moradores de cidades pernambucanas. Bandidos realizaram três investidas contra agências bancárias, nesta sexta-feira (12), no interior do estado. As ações aconteceram em Ribeirão, na Zona da Mata Sul, em Condado, na Zona da Mata Norte e
em Inajá, no Sertão do estado. Em Bairro Novo, Olinda, no Grande Recife, ainda houve uma tentativa de arrombamento a um prédio de uma instituição financeira, mas sem sucesso.
Em
Condado, um grupo de pelo menos dez criminosos agiram com extrema violência. Eles chegaram ao banco por volta das 3h30. Usaram muitos explosivos e danificaram completamente a agência do Banco do Brasil, a única da cidade. Testemunhas relataram que os criminosos também dispararam vários tiros.
“Foram pelo menos 20 minutos de muito barulho”, afirmou uma vizinha. Na fuga, saíram efetuando disparos no meio da cidade. Quem mora perto do banco, teve prejuízo material. Com o impacto dos explosivos, paredes e muros de residências foram comprometidos e alguns chegaram a cair.
A investida contra o Banco do Brasil de Condado foi a quarta ocorrência nos últimos anos. Das outras vezes, informaram os moradores, os bandidos arrombavam caixas eletrônicos. Desta vez, no entanto, eles acreditam que os bandidos queriam levar o dinheiro do cofre.
Em
Ribeirão, os criminosos explodiram caixas eletrônicos do Santander. Também tentaram arrombar uma agência do Bradesco, sem sucesso. Como em ações semelhantes registradas no estado, nos últimos meses, jogaram grampos de metal nas ruas e estradas para tentar impedir ou retardar a chegada da polícia.
No Santander, houve destruição do prédio. Em junho, a mesma agência tinha sido alvo dos ladrões. No Bradesco, apenas a porta foi forçada. Na fuga, os ladrões queimaram um veículo, que foi deixado numa estrada de barro.
Em
Inajá, o grupo de criminosos explodiu a agência bancária do Banco do Brasil na madrugada desta sexta-feira (12). De acordo com a Polícia Militar, cerca de dez homens armados participaram da ação. Eles entraram pela parte de trás do banco e utilizaram explosivos, segundo a PM.
Também conforme informou a polícia, os criminosos arrombaram o caixa-forte da agência e um caixa eletrônico com um maçarico. Segundo a PM, o grupo levou uma quantia em dinheiro - ainda não informada - do banco. Os criminosos fugiram e ainda não foram localizados.
Já em Olinda, o alvo foi a agência do banco Itaú, que fica na Avenida Getúlio Vargas, em Bairro Novo. De acordo com a polícia, quando os criminosos tentaram ter acesso ao local, o sistema de segurança da agência foi acionado e liberou uma fumaça, que impediu os bandidos de explodirem os caixas eletrônicos.Eles fugiram sem levar nada.
Em
Pernambuco, houve uma tentativa de aperfeiçoar oa vigilância nas instituições financeiras, em 2015. Uma norma foi criada para permitir o acesso do poder público às imagens de circuito de câmeras de vigilância da rede bancária e das casas lotéricas. Isso ocorreria em caso de invasão das agências.
A Secretaria de Defesa Social (SDS) poderia acionar um dispositivo e passaria a ter dados em tempo real, no intervalo entre o registro e afinalização da ocorrência. No entanto, a Lei 15.687/15 deixou de ser aplicada por força de uma liminar da Justiça, que deu ganho da causa a entidades representativas dos bancos.
Parceria
Carvalho também ressaltou a necessidade de aprofundar ainda mais as parcerias com as polícias Federal e de outros estados. Lembrou que uma força-tarefa já está atuando com êxito em Pernambuco. [Veja vídeo abaixo]
Nos últimos dias, três quadrilhas foram presas. Uma delas, por exemplo, acabou detida na noite de terça-feira (9), em
Bom Jardim, no Agreste, quando se preparava para explodir caixas eletrônicos de um banco em Surubim, na mesma região.
O titular da SDS afirma que pelo menos três quadrilhas estão atuando em Pernambuco. Alguns casos aconteceram perto de Alagoas. A onda mais grave de crimes, no entanto, ocorreu nas cidades que têm limite com a Paraíba. Entre os dias 5 de julho e 5 de agosto, foram oito ocorrências na mesma região. "Estamos investindo no trabalho de inteligências, que é fundamental em operações como essas", declarou.
Explicações
Diante da crise dos assaltos e explosões, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que as instituições têm cooperado com a polícia e Justiça. Também disse que houve investimentos na contratação de vigilantes e na compra de materiais de segurança.
Outro recurso citado pela federação é a diminuição da quantidade de cédulas e moedas nas agências. Por isso, os bancos têm incentivado o uso da tecnologia, de aplicafativos e da internet para a realização de transações, pagamentos e transferências.
Levantamento feito com 17 instituições financeiras, entre elas os principais bancos de varejo do País, mostra que, em 2015, foram registrados 393 assaltos e tentativas de assaltos no Brasil. Esse número indica estabilidade em relação a 2014, quando foram registrados 385 ocorrências (+2%). É bem inferior ao registrado em 2000, quando houve 1.903 assaltos e tentativas de assaltos.
Histórico
O último grande ataque
aconteceu no dia 5 de agosto, no município de Machados, no Agreste. Durante cerca de 20 minutos dentro do banco, os assaltantes deixaram de lado os caixas eletrônicos, alvos mais comuns, e explodiram o cofre da agência, levando todo o dinheiro. Depois da ação, os homens ainda efetuaram disparos e jogaram grampos nas ruas próximas para tentar impedir a perseguição policial.
Além desse, outros municípios pernambucanos foram vítimas de ataques recentes. João Alfredo, Feira Nova, Macaparana,
Buenos Aires,
Orobó,
Passira,
Cumaru, Bom Jardim e
Lagoa do Carro também tiveram casos semelhantes de assaltos. Algumas das agências estão em reforma, mas outras sequer apresentam previsão para normalizar os atendimentos.
Drama
Para quem vive nessas cidades, a saída é sair do município para procurar terminais bancários disponíveis. “A gente tem que ir para as cidades vizinhas para fazer saques, ou procurar as lojas que aceitam débito automático”, reclama a dona de casa Maria de Fátima Barbosa.
Em todos os casos, a ação dos assaltantes parece obedecer a um padrão: fortemente armados, os suspeitos invadem a agência bancária, explodem os caixas eletrônicos e fogem sem dificuldades, levando o dinheiro e deixando a sensação de medo entre os moradores. “E tinha policial na delegacia? Tem não. Tinha nenhum”, reclama a estudante Josefa Mendes, moradora de Machados.
De acordo com o delegado Paulo Berenguer, responsável pela força-tarefa que investiga as ações criminosas contra bancos no interior do estado, há uma espécie de “convênio criminoso”. “São pessoas que vêm de outros estados e se reúnem com gente daqui de Pernambuco. Eles conhecem as estradas e fornecem a logística, então isso resulta na atuação dessas organizações”, explica.
Enquanto os bandidos se capitalizam a cada assalto, adquirindo armas e atuando de forma mais complexa, as cidades do interior carecem cada vez mais de policiamento. Em
Macaparana, por exemplo, é como se cada um dos policiais militares tivesse que ser responsável por 4.500 moradores. O número é bem inferior ao recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que sugere ideal o mínimo de um policial para cada 450 habitantes.
Fonte: G1