Os bancários decidiram nesta terça-feira (13) manter a greve iniciada na semana passada, informou a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). A decisão foi anunciada após reunião com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) em São Paulo. Segundo a Contraf, a Fenaban não apresentou nova proposta, e uma nova rodada de negociação foi marcada para quinta-feira (15), em São Paulo
De acordo com o último balanço divulgado pelo comando dos grevistas, 11.531 agências e 48 centros administrativos tiveram as atividades paralisadas nesta segunda-feira (12). Segundo o Banco Central, o país tem 22.676 agências bancárias instaladas.
A Fenaban não tem divulgado balanços diários de agências fechadas, mas informa que a população tem à sua disposição uma série de canais alternativos para realizar transações financeiras.
Veja a situação da paralisação por estados:
Alagoas
Segundo o Sindicato dos Bancários, em Maceió,
todas as 88 agências estão fechadas. O sindicato não soube precisar o número exato de agências que estão sem funcionar no interior, mas garante que das 155 agências, 80% aderiram à greve.
Amapá
28 agências, das 42 existentes no estado, tiveram as atividades paralisadas, informou o Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Sintraf) no Amapá. Cerca de 650 trabalhadores aderiram à greve, correspondendo a cerca de 70% da categoria. Ao menos 30% do efetivo continua desempenhando as atividades nas instituições financeiras, segundo o Sintraf.
Amazonas
A greve dos bancários chega à segunda semana com
adesão de 69% das agências de Manaus. No interior do Amazonas, 35 de 104 estabelecimentos estão de portas fechadas (34%). Quase 2.100 bancários cruzaram os braços no estado em greve por tempo indeterminado.
Goiás
A
população reclama de transtornos em Goiás. Segundo presidente do Sindicato dos Bancários do Estado de Goiás, Sérgio Luiz da Costa, a adesão das agências bancárias da rede privada chega a mais de 75% no estado. “Desde o início da paralisação o movimento ganhou força e ainda continua nesse sentido. Já em bancos públicos, como a Caixa Econômica Federal, por exemplo, a adesão é de quase 100%”, garantiu.
Na área de abrangência da entidade, que engloba ainda outros 27 municípios das regiões central, oeste, norte e sudoeste do estado, e onde existem 160 agências, pelo menos 110 estão com o atendimento paralisado, indica a instituição.
No Vale do Aço, o sindicato informou que a greve afeta 13 cidades, e 50 agências aderiram ao movimento; ainda não há previsão para término.
Paraná
A
greve dos bancários no Paraná, que começou no dia 6 setembro, completa uma semana nesta terça-feira (13). A paralisação não prejudicou o atendimento nos caixas eletrônicos das agências bancárias, mas aumentou o atendimento nas casas lotéricas em até 40%, segundo o Sindicato dos Empresários Lotéricos do Paraná (Sinlopar). Com isso, as filas são inevitáveis.
Piauí
Fiscais do Serviço de Proteção ao Consumidor (Procon) percorreram algumas agências bancárias no Centro de Teresina na manhã desta terça-feira após receber uma série de denúncias de clientes. Com a greve dos bancários, o público denunciou a falta de envelopes para depósito e dinheiro nos terminais eletrônicos.
Rio Grande do Norte
De acordo com Gilberto Monteiro, coordenador geral do sindicato dos bancários do estado,
cerca de 70% dos bancários aderiram à paralisação. Para evitar maiores trastornos aos clientes por causa da greve, o Procon e o sindicato chegaram a um acordo. Em todas as agências que mantém algum funcionamento, pelo menos um funcionário está sendo mantido no auto-atendimento, para auxiliar nos serviços básicos.
Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, o balanço indica que 862 agências foram fechadas, conforme o Sindicato dos Bancários (SindiBancários). A negociação em São Paulo é acompanhada pelo secretário-geral do SindiBancários do Rio Grande do Sul, Luciano Fetzner, que afirma que a mobilização deve continuar “até que os banqueiros ofereçam uma proposta decente”, disse em comunicado divulgado pela categoria.
Roraima
A
greve dos bancários atinge 44 agências fechadas em Roraima, o equivalente a mais de 95% do total de bancos no estado, segundo informações do Sindicato dos Bancários. Usuários lotam casas lotéricas como alternativa para o serviço. A paralisação, aderida no dia 8, atinge bancos públicos e privados em todos os 15 municípios do estado.
Santa Catarina
Das 150 agências da Grande Florianópolis, 104 estão fechadas, o que tem aumentado as filas diante de caixas eletrônicos e lotéricas. De acordo com o secretário de comunicação do sindicato em Florianópolis, Luiz Toniolo, os grevistas têm percorrido agências para conversar com clientes e comunicar reivindicações, além de orientar sobre unidades bancárias em funcionamento.
São Paulo
No Vale do Paraíba e região bragantina, a greve dos bancários
afeta o funcionamento de 376 agências. Segundo o sindicato, até esta segunda-feira (12) a adesão era de 100% na regional de Taubaté, que conta com 86 agências e 1,2 mil bancários. Já em São José dos Campos, as 184 agências aderiram ao movimento; na regional de Bragança Paulista 53 das 54 agências suspenderam as atividades. Já na regional de Guaratinguetá, 53 das 61 agências estão fechadas e 654 bancários suspenderam as atividades.
Moradores do noroeste paulista têm sofrido com os reflexos da greve. Em Pereira Barreto (SP), 60% das agências estão fechadas. Já em Andradina (SP) a adesão à greve foi de 100%. Em Ilha Solteira (SP), 89% das agências estão sem funcionar. Das 120 agências bancárias na região de Araçatuba (SP), 85 estão em greve e dos 1,2 mil funcionários, 950 estão parados.
Em São José do Rio Preto (SP) e região, das 150 agências, 109 aderiam à paralisação. Uma média de três mil funcionários estão parados. Apenas os caixas eletrônicos funcionam.
Segundo o balanço mais atualizado do sindicato responsável pelos bancos da região de Sorocaba,
178 agências aderiram à greve até o momento. No total, há 292. A regional do sindicato dos bancários responde por 40 cidades, ao todo, são 320 agências e postos bancários. Na região de Jundiaí, 70% dos bancos estão fechados.
De acordo com a diretora de imprensa da entidade, Regina Cardoso de Siqueira, todas as agências estão fechadas em Mogi, Poá e Suzano. Já em Biritiba Mirim e Salesópolis somente os bancos públicos estão em greve.
"Tivemos hoje a adesão dos financiários à greve e, em alguns estados, dos cooperários (trabalhadores em Cooperativas de Crédito)", destacou Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT.
Reivindicações
A categoria havia rejeitado a primeira proposta da Fenaban - de reajuste de 6,5% sobre os salários, a PLR e os auxílios refeição, alimentação, creche, e abono de R$ 3 mil. A proposta seguinte, também rejeitada, foi de reajuste de 7% no salário, PLR e nos auxílios refeição, alimentação, creche, além de abono de R$ 3,3 mil.
Os sindicatos alegam que a oferta não cobre a inflação do período e representa uma perda de 2,39% para o bolso de cada bancário. Os bancários querem reposição da inflação do período mais 5% de aumento real, valorização do piso salarial - no valor do salário mínimo calculado pelo Dieese (R$ 3.940,24 em junho) -, PLR de três salários mais R$ 8.317,90, além de outras reivindicações, como melhores condições de trabalho.
A Fenaban disse em nota que "o modelo de aumento composto por abono e reajuste sobre o salário é o mais adequado para o atual momento de transição na economia brasileira, de inflação alta para uma inflação mais baixa".
Agências fechadas em Macapá, Amapá (Foto: Jéssica Alves/G1)
Atendimento
Em nota, a Federação Brasileira de Bancos (
Febraban) lembra que os clientes podem usar os caixas eletrônicos para agendamento e pagamento de contas (desde que não vencidas), saques, depósitos, emissão de folhas de cheques, transferências e saques de benefícios sociais.
Nos correspondentes bancários (postos dos Correios, casas lotéricas e supermercados), é possível também pagar contas e faturas de concessionárias de serviços públicos, sacar dinheiro e benefícios e fazer depósitos, entre outros serviços.
Greve passada
A
última paralisação dos bancários ocorreu em outubro do ano passado e teve duração de 21 dias, com agências de bancos públicos e privados fechadas em 24 estados e do Distrito Federal. Na ocasião, a Fenaban propôs reajuste de 10%, em resposta à reivindicação de 16% da categoria.