Há cerca de duas semanas, um homem e uma mulher não identificados, residentes na Região Metropolitana do Recife, foram internados no Hospital Oswaldo Cruz. O casal havia passado o feriado da Semana Santa em um retiro espiritual realizado por várias igrejas evangélicas.
“Eles apresentavam um quadro clínico sugestivo de arbovirose endêmica. Os sintomas eram febre, dor no corpo, edema nos membros inferiores, na fase e na articulação. Poderiam ser confundidos facilmente com dengue e chikunguya, mas a febre constante, cerca de 20 dias, causou estranhamento”, explica o Montenegro.
No relato dos pacientes estava o gosto estranho de uma água que havia sido ingerida nos primeiros dias de retiro. Simultaneamente, um terceiro paciente vindo do mesmo encontro foi internado no Hospital Jayme da Fonte, também no Recife, com os mesmos sintomas, mas sem associação com a água consumida.
“Esse terceiro estava com os olhos amarelados e a equipe decidiu fazer um teste rápido de malária. O resultado deu positivo. Quando fomos para o teste específico, o parasita da malária não aparecia na lâmina, mas o parasita do barbeiro sim”, diz o infectologista.
A Secretaria faz também uma busca ativa de casos suspeitos. Na investigação, se enquadram pessoas do Cabo de Santo Agostinho, Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes e Arcoverde que participaram do evento religioso em Ibimirim e que apresentem febre contínua, intermitente e prolongada por cerca de uma semana.
O sintoma pode ou não vir acompanhado de edema de face ou de membros, manchas vermelhas na pele, inflamação no baço, náusea, icterícia, perda ou diminuição de força física, dor nas articulações ou edema inflamatório nas pálpebras e na pele.
A enfermidade é causada pelo protozoário Tripanossoma cruzi e transmitida pelo barbeiro. Também é possível contrair a doença por meio de alimentos contaminados pelo protozoário.