Gemima Pessoa da Silva Nascimento tentou, mas não conseguiu acesso ao BPC pra filha Luana, que está com quase 4 anos. Ela trabalhava como professora e deixou o emprego para se dedicar à menina, mas, com a nova regra, se sentiu duplamente prejudicada.
"O BPC foi negado, porque meu esposo trabalhava e o valor ficou acima do valor estipulado. Temos muitos gastos com Luana, porque ela é uma bebê que tem uma traqueostomia e se alimenta por uma sonda na barriga. Temos recebido ajuda das ONGs e dos nossos familiares. Foi muito revoltante, porque ela não vai ter direito. Acreditávamos que todos eles iriam receber", diz Gemima.
A advogada Viviane Guimarães considera a MP interessante, mas bastante limitada. "A primeira questão é vincular a pensão especial à existência do BPC. Quando se faz isso, a gente vai retirar uma população que ainda não conseguiu esse benefício e essas pessoas não vão ser beneficiadas com a pensão. Além de que a epidemia continua. Podem surgir novos casos de crianças com microcefalia provinda do zika", explica a advogada.
A dona de casa Wilma Gomes, mãe de Bruno, recebia o BPC e vai ganhar a pensão vitalícia. Ela, no entanto, não ficou satisfeita com a medida provisória.
"Nossos filhos não pediram para nascer assim. Todo mundo sabe que isso foi um problema de calamidade do estado. Meu filho recebe pensão, mas além disso, creio que ele e todos os bebês têm direito a outras indenizações. Eu não estou pedindo nada, é direito deles", afirma Wilma.