“Sem açúcar, não se entende o Nordeste, não se entende o Brasil”, já dizia o sociólogo e escritor Gilberto Freyre. Esse pensamento é relembrado em um roteiro de nove cidades, que percorrem os antigos engenhos e contam um pouco do ciclo do açúcar, época viva na memória histórica e cultural pernambucana.
O trajeto passa por Camaragibe, São Lourenço da Mata, Tracunhaém e Lagoa de Carro. Continuando, segue por Nazaré da Mata, Vicência e Aliança. Por fim, chega a Timbaúba e Itambé. Nessas cidades, os viajantes são recebidos com clima agradável, natureza pródiga e as expressões folclóricas que nos enchem de orgulho: os maracatus rurais e o cavalo-marinho.
Marcos históricos e culturais em Camaragibe
Iniciamos nossa viagem pertinho da capital. Localizada a 11 km do Recife, Camaragibe teve sua origem no Ciclo do Açúcar. Prova disso, é que um de seus marcos é justamente o engenho que deu nome à cidade, com um casarão ligado ao Circuito Judaico em Pernambuco.
Os destaques por ali ficam concentrados na região de Aldeia e favorecem passeios incríveis: tem trechos de Mata Atlântica, proporcionando um clima ameno, flores tropicais e trilhas ecológicas.
Na região, há também opções que unem a boa gastronomia e conforto, com oferta variada de hotéis, adegas e restaurantes.
E, para quem quer conhecer mais sobre o nosso artesanato, Camaragibe oferece uma bela exposição de suas famosas tapeçarias e outras maravilhas produzidas pelas mãos de seus artesãos e artesãs, na Feira de Artesanato.
Outras expressões artísticas famosas na região podem ser vistas na alegria e no colorido das tribos de caboclinhos e dos bois de Carnaval, e nas apresentações anuais da Paixão de Cristo.
São Lourenço da Mata oferece passeios ecológicos
Bem pertinho de Camaragibe, e a apenas 17 km do Recife, está São Lourenço da Mata. A cidade sedia a Arena Pernambuco, um mega espaço para práticas esportivas e eventos de grande porte.
Em São Lourenço também está a Estação Ecológica de Tapacurá, que é rodeada pela vegetação de Mata Atlântica, com bosque de pau-brasil e um lago formado pela própria Barragem de Tapacurá. Outro destaque da charmosa Estação é a possibilidade de observar as ruínas de um antigo colégio agrícola, ao lado de um dos bancos de areia do lago.
Também encantadora é a Igreja de Nossa Senhora da Luz, que tem sua construção datada de 1540, e está localizada no distrito de Matriz da Luz.
Tracunhaém e a arte que vem do barro
Seguindo nosso trajeto, chegamos a Tracunhaém. A cidade está a 53 km do Recife, e é um outro destino que une a cultura e história com maestria. Em sua história recente, dois elementos se sobressaem e sustentam a economia local: a cana-de-açúcar e o barro.
Foi na década de 60 que surgiram ali os primeiros artesãos, que usavam o barro para modelar tipos regionais, figuras sacras, animais e os mais diversos objetos. Hoje, essa arte cheia de detalhes domina o dia a dia de Tracunhaém: metade da população sobrevive da transformação do barro.
O domínio dessa técnica encanta os visitantes, que têm a oportunidade de adquirir as mais diferentes peças, sejam elas utilitárias, figurativas ou decorativas.
Lagoa do Carro, nossa Terra do Tapete
Passamos agora por um lugar conhecido como a Terra do Tapete. Estamos falando da cidade de Lagoa do Carro, que também está localizada a 53 km da nossa capital. Ela ganhou esse nome porque em seu território está instalada, informalmente, a maior oficina de tapetes artesanais do país.
Os trabalhos realizados nessa grande oficina abordam diversos temas e estilos. Além disso, boa parte da população se dedica a esta arte, que é passada de geração em geração. Os resultados dessa intensa e bela produção podem ser vistos e comprados, dentre outros locais, na Associação das Tapeceiras de Lagoa do Carro.
Mas a Terra do Tapete também tem outros atrativos: merecem destaques o famoso Museu da Cachaça e a Igreja da Soledade, que acolhe uma imagem de 277 anos.
Nazaré da Mata sedia o Encontro de Maracatus
E chegamos à terra do Maracatu de baque solto! Nossa querida Nazaré da Mata fica a apenas 65 km do Recife. O lugar é a terra também de um artesanato diversificado, onde proliferam a marchetaria, os bordados e a confecção de figuras do caboclo de lança, com suas brilhantes golas e mantas.
A cidade é o palco do Encontro de Maracatus, que acontece no mês de novembro, e une mais de 80 grupos do folguedo. Por lá, os visitantes também podem conhecer outros espaços que respiram cultura, história e guiam a nossa fé: os antigos casarios, o Espaço Cultural Mauro Mota, o Parque dos Lanceiros e a Igreja Matriz.
Serras e trilhas em Vicência
Este roteiro encantador de paisagens culturais e históricas passa também por Vicência, local que tem vocação para o ecoturismo. A cidade está localizada a 83 km do Recife e possui serras e trilhas ecológicas.
No município, os turistas ainda têm a oportunidade de visitar engenhos, alguns dos quais estão integrados ao programa do turismo rural. Outras excelentes opções de passeio são o engenho Água Doce, onde funciona uma cachaçaria, e os engenhos Poço Comprido e Jundiá.
Mais um atrativo da região é a Usina Laranjeiras, que abriga a capela de São Joaquim, construída em 1806. É importante lembrar que a visita ao local deve ser feita mediante agendamento.
Já a Serra Mascarenhas é o passeio perfeito para quem gosta de unir aventura e lindas paisagens, pois o local tem uma plataforma para voo livre.
Por fim, há ainda as estilosas peças de artesanato em fibra de bananeira e os licores de frutas da região, que cativam os visitantes dos mais diversos lugares.
Aliança e seus lindos bordados
Coladinha em Vicência, está o município de Aliança. Estamos agora a 84 km da capital, em um lugar que guarda uma parte do nosso tesouro histórico: as edificações de antigos engenhos. Além disso, os grupos de cavalo-marinho e de maracatu rural, a exemplo do Estrela de Ouro, são destaques na cidade.
Junto com as belezas cênicas dos grupos folclóricos, há também o encanto da produção de bordados do lugar. Afinal, são eles que dão cor e beleza às golas e mantas dos caboclos de lança.
A música é outro ponto forte em Aliança. Entre as bandas locais de destaque, está a centenária 24 de Fevereiro, do distrito de Macujê.
Timbaúba atrai amantes da natureza
E chegamos a Timbaúba, a “Terra do Boi do Carnaval”! A cidade está a 92 km do Recife e preserva a tradição do boi há 80 anos, tendo mais de 60 agremiações do tipo.
E o lugar também é uma ótima opção para quem é apaixonado por artesanato. Por lá, recebe destaque a produção de redes, tapetes, calçados e os artesanatos com fibras do urubá e da folha de bananeira. É muita diversidade e criatividade juntas em um lugar só, não é mesmo?
Os amantes da natureza não podem perder os outros atrativos de Timbaúba, como a Unidade de Conservação de Mata Atlântica e o Alto do Cruzeiro.
Já para quem não abre mão de conhecer mais os caminhos religiosos da região, a cidade conta com pontos como a Matriz de Nossa Senhora das Dores e a capela de Nossa Senhora do Rosário.
Itambé, o Berço da Maçonaria Brasileira
Pertinho de Timbaúba e nossa parada final, a cidade de Itambé é outro ponto de referência para a nossa história. Apesar de já termos conhecido bastante lugares diferentes, estamos só a 93 km da capital.
Primeiramente, vale destacar que o lugar abriga diversos engenhos - como o antigo Engenho Angicos, onde hoje funciona a “Casa de Campo”, equipamento voltado ao turismo rural.
Além disso, o município é considerado o Berço da Maçonaria Brasileira, por ter constituído a primeira loja maçônica do Brasil, chamada de Areópago de Itambé (1796). Essa loja é famosa porque serviu de palco para ideias libertárias, presentes na Conspiração dos Suassuna (1801).