Desde o início de maio, o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco está investigando a conduta de médicos que, em parceria com a deputada estadual Clarissa Tércio (PSC), participam de um programa que promove tratamento e administração de remédios como a cloroquina em comunidades carentes do Recife.
"A posição da prefeitura parte de um pressuposto bioético que diz assim: 'primum non nocere'. É uma expressão em latim que diz que, em primeiro lugar, não fazer o mal. O princípio da não-maleficência", afirmou Jaílson Correia.
Na rede estadual, o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no Centro do Recife, é uma referência no tratamento de pacientes com a Covid-19, e faz parte da rede de hospitais que avaliam o uso da hidroxicloroquina e cloroquina no tratamento. Entretanto, isso ocorria apenas em âmbitos de testes clínicos, com termo de consentimento do uso assinado, como mandava, até então, a OMS.
De acordo com o chefe do setor de infectologia da unidade, Demétrius Montenegro, a nova recomendação da OMS já está sendo aplicada no hospital. Quem já estava utilizando a droga concluirá o tratamento, mas nenhum novo paciente entrará no ensaio.
"Hoje de manhã, fomos surpreendidos por uma nota e um comunicado via e-mail, da OMS, em que ela pediu a todos os hospitais que faziam parte desse estudo em suspender o braço que utiliza cloroquina no estudo. Além dela, outras drogas também eram utilizadas para avaliação do tratamento da Covid-19. No entanto, elas ainda não chegaram no hospital", declarou.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a suspensão foi determinada depois da divulgação dos resultados do estudo publicado na sexta-feira (22) na revista científica "The Lancet".
A pesquisa, feita com 96 mil pessoas, apontou que não houve eficácia das substâncias contra a Covid-19 e detectou risco de arritmia cardíaca nos pacientes que as utilizaram.
A mesma revista, que existe há 196 anos e é uma das mais respeitadas do mundo na área de saúde, criticou Bolsonaro em um editorial e disse que "talvez a maior ameaça à resposta à Covid-19 para o Brasil seja o seu presidente, Jair Bolsonaro".
Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) informou que não recomendava o uso da droga e que "apenas orientava o profissional médico a avaliar seu uso de acordo com nota técnica do Ministério da Saúde", mas que, agora, "sugere que os médicos sigam a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), de suspender o uso das substâncias nos pacientes com Covid-19".
No caso específico do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), que participa de estudo da OMS, em parceria com a Fiocruz no Brasil, "a própria OMS já solicitou a suspensão da medicação em novos pacientes até completar as análises das últimas informações científicas".
UTIs
De acordo com a secretária-executiva de Vigilância em Saúde de Pernambuco, Luciana Albuquerque, Pernambuco tem, atualmente, pouco mais de 180 pessoas na fila por tratamento em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Apesar do número expressivo, segundo ela, houve uma redução.
"Já chegamos a 300 pessoas esperando por um leito de UTI. Isso tem relação com o esforço para ampliação diária desses leitos. Um mês atrás tínhamos 709 leitos dedicados à Covid-19, sendo 330 de UTI. Quinze dias a mais, eram 990 leitos, com 512 de UTI. Uma semana atrás, tínhamos 1.249 vagas, com 557 de terapia intensiva e, hoje, chegamos a 1.377 leitos, sendo 614 de UTI", declarou a secretária.
Covid-19 em Pernambuco
Foram confirmados, nesta segunda-feira (25), em Pernambuco mais 48 óbitos e 607 casos da Covid-19. Com isso, o estado passou a ter 2.248 mortes e 28.366 confirmações dessa doença causada pelo novo coronavírus, números que começaram a ser registrados em março, no início da pandemia.